No verão de 1996 tive a minha primeira experiência de viajar sozinha com mais duas amigas; na verdade, confesso, não foi bemmm sozinha, mas sem a companhia dos meus pais, porém na companhia da mãe de uma dessas minhas amigas.
Desse veraneio tem muitas histórias divertidas, mas uma em especial é muitíssimo engraçada, pelo menos para nós três protagonistas dela.
Bom, a história começa mais ou menos assim: alugamos um apartamento num condomínio chamado Oasis na praia de Atlântida. O apartamento era muito bom, pois ficava perto da praia, o que nos dava vista preferencial do mar, tinha duas sacadas enormes com redes, uma sala bem ampla e dois quartos ótimos; entretanto havia um único problema, nos dois quartos só haviam camas de casais e não tínhamos trazido colchões extras para qualquer eventualidade. Total ratiada! Mas eu só tinha 14 anos e ainda não tinha noção nenhuma de possíveis eventualidades em viagens, pois até aquele momento quem sempre cuidava disso era meus pais.
Na hora ficamos em choque! E agora como vamos nos ajeitar? Duas dá, mas três em uma única cama, será? Todavia, em que pesasse as nossas indagações sobre tamanho, quantidade e peso, não tinha outro jeito, teríamos que nos acomodar nos três de qualquer maneira naquela única cama disponível. Sei que até poderíamos nos dividir e uma de nós dormir no outro quarto com a mãe da minha amiga, mas vamos convir, imagina se uma de nós três iria deixar as outras duas sozinhas perdendo de participar das fofocas e segredos que sempre aparecem na hora de dormir, nenhuma por óbvio!
A primeira atitude foi ver qual a posição que cada uma de nós iria ocupar na bendita cama. Nesta hora, as personalidades meio que ditaram os locais, pois a minha amiga anfitriã, meio monopolista, decidiu que iria ficar no meio, assim, creio eu, poderia participar de todos os assuntos em primeira mão. Eu acabei ficando com a ponta esquerda perto da janela, enquanto a minha outra amiga se alojou na ponta direita por ser mais perto do banheiro e ela ser a que mais o freqüentava à noite.
Nos primeiros dias a confusão noturna imperou. Era braço na cara de uma, pontapé na outra, cabelo preso pelo outro travesseiro; a movimentação era limitadíssima e o sono interrompido inúmeras vezes em uma noite só, tanto que era raro acordarmos cedo. Ahh, uma coisa ruim era isso, pois minha amiga do meio sempre era a última a acordar, então as vezes ficava eu em silêncio acordada numa ponta e a minha outra amiga da outra ponta também, uma achando que era a única ainda acordada!
Porém, como em tudo na vida dá-se um jeito, aos poucos fomos nos acomodando (claro que antes disso, cheguei algumas vezes a cair da cama por falta de espaço para o meu lado). Criamos uma espécie de sincronismo, quando uma virava as outras conseqüentemente também, cada braço e perna foram encontrando seus devidos lugares. Era como um balé, podemos chamar de a "dança sincronizada do sono"...hehehe!!
Sei que no fim do veraneio parecia que apenas duas, como seria o normal, dividiam àquela cama de casal e não três. Acho que instintivamente nossos corpos foram se acostumando com aquela situação e nem mais acordávamos no meio da noite, a não ser para irmos no banheiro ou para nos destapar por causa do calor.
Não tivemos mais discussões do tipo "sai para lá que esse espaço é meu", "ai, tu me chutou" e por aí vai. Aprendemos direitinho a dividir os pequenos espaços com democracia. A única coisa que gerou um certo desconforto e início de discussão foi a presença constante de areia na cama, até hoje nenhuma admitiu que era a transportadora de certa quantidade de areia da praia, esse mistério ainda permanece e eu até hoje juro de pé junto, assim como as demais, que não fui eu!!!
Coitada da minha amiga anfitriã, monopolista, centralista de cama e neurótica por limpeza....hehehe! Sempre sofria com a areia e, por isso, antes de dormir batia inúmeras vezes os lençóis para ver se não restava mais nenhum grão de areia, mas admito que sempre tinha um que conseguia resistir a esta inspeção feroz e acabava sempre a pinicando no meio da noite...heheheh
Dessa experiência aprendi a dividir melhor pequenos espaço com outras pessoas, pode parecer idiota isso, mas quando se está diante de certas situações de aperto não é - que dirá os BBBs!!
A outra coisa legal dessa situação de aperto, foi os momentos de muita risada com as inúmeras situações engraçadas que aconteciam por causa daquela divisão bizarra da cama; também ficamos muito próximas como amigas, pois dividimos muitas histórias, dúvidas naquelas noites, chamávamos de o "momento de reflexão das três apertadas"...heheheh!!!
Até hoje quando lembramos damos boas risadas do nosso aperto!!!
Aiii, deu até saudade daquele aperto!

OI amiga!!! Adoro ler os seus textos!!!! A praia realmente sempre traz sensações e lembranças boas, principalmente das amizades!
ResponderExcluirBeijos