Quando chega esta época é inevitável, mas me bate uma nostalgia dos meus veraneios de quando criança.
Lembro-me perfeitamente que ir para praia era sinônimo de liberdade, pois na praia - principalmente para quem morava na capital - podíamos ficar na rua até tarde, dar umas esticadas até o centrinho sem a vigilância do pai ou da mãe e percorrer longos caminhos livremente de bicicleta pelas ruas. Era uma delícia àquela sensação de independência.
As brincadeiras de esconder ou de pega-pega se estendiam pela quadra inteira, era criança para todos os lados, o encarregado de procurar ou de pegar os outros sofria.
Tinha sempre o grupo dos mais velhos e dos menores que seguiam incansavelmente os maiores que, por sua vez, fugiam como o "diabo da cruz", mas não tinha jeito, pois os menores eram terríveis, sempre os achavam. Eu por ter uma irmã mais velha do que eu sempre fui do grupo dos menores. Lembro-me que "bolavamos" autos planos para seguí-los, para saber das conversas ou das paqueras que rolavam, adorávamos ser os detetives dos pensamentos e atitudes que rondavam o mundo dos maiores, mesmo eles não sendo tãoooo maiores assim.
Tinha sempre o grupo dos mais velhos e dos menores que seguiam incansavelmente os maiores que, por sua vez, fugiam como o "diabo da cruz", mas não tinha jeito, pois os menores eram terríveis, sempre os achavam. Eu por ter uma irmã mais velha do que eu sempre fui do grupo dos menores. Lembro-me que "bolavamos" autos planos para seguí-los, para saber das conversas ou das paqueras que rolavam, adorávamos ser os detetives dos pensamentos e atitudes que rondavam o mundo dos maiores, mesmo eles não sendo tãoooo maiores assim.
Posso dizer que éramos motorizados, pois com nossas bikes pelas ruas o "céu era o limite", pelo menos era o que achávamos naquela época. Alguns até eram motorizados, pois antigamente na praia não havia, como hoje há, uma fiscalização de trânsito, na verdade, não havia nem leis de trânsito rigorosas como as de hoje, então muitos percorriam as ruas em cima de suas mobiletes , outros do grupo dos mais velhos, até pegavam de vez em quando o carro do pai escondido, a técnica era simples: esperavam os pais dormirem, liberavam o freio de mão e empurravam o carro até um local onde o pai ou a mãe não pudessem perceber que aquele barulho de motor era o do próprio carro.
E as reuniões dançantes?! Aiiii, era muito legal!! Sempre tinha uma em alguma garagem de alguma casa da rua. O combinado era o de sempre: meninos refri e meninas doces ou salgados; tinha sempre no fim da festa muito daquele salgadinho chamado "milhopan" esmagado pelo chão da garagem, vivíamos falando que aquilo mais parecia um salgadinho de isopor, mas sempre devorávamos do mesmo jeito. Recordo-me que uma vez numa dessas reuniões dançantes me encantei por um menino que era meu vizinho. Ele tinha cabelos cor de fogo, a pele bem branca e o corpo bem magro e eu queria o tempo todo dançar com ele, passei a festa inteira atrás dele, até que o coitado com medo daquela menina crespa que o perseguia fugiu da festa e eu fiquei a "ver navios",hehehehe!
Os bailes de carnaval também eram muito legais! Minha mãe sempre nos levava aos bailes infantis, sempre bem fantasiada girava em volta do salão jogando muito confete e serpentina para o alto. Já crescida, quando ainda pré-adolescente, me aventurei com a minha melhor amiga pelos bailes para os maiores, na primeira noite nos fantasiamos de garotas do hip hop (acho que era isso o que mais se assemelhava aquela nossa fantasia), já na segunda noite fomos de torcedoras do grêmio. Minha melhor amiga foi chamada de pit bull por uns garotos, pois não deixava que nenhum garoto chegasse perto de qualquer uma de nós. É que na verdade estávamos com muito medo de todo aquele assédio de meninos, pois aquilo tudo era novidade. Lembro-me que minha mãe ficou uma fúria com a gente, pois tínhamos combinado que só seria uma noite, mas no fim acabamos indo em duas, o que deixou ela "P" da vida comigo, com a minha amiga e, tadinho, com o meu pai, que nos deu cobertura para quebrar o combinado de uma única noite.
Na praia ainda tive muitas outras experiências, pois foi lá que aprendi a andar de bike sem rodinha, a assobiar com os dedos e também foi aonde tentei dar o meu primeiro beijos de língua, que por sua vez não deu certo, pois quando o menino tentou deu literalmente com a língua nos dentes, nos meus dentes, pois estava tão nervosa e apavorada que os fechei....que vexame!!!!hehehehehe
Ahh, não posso esquecer, que meu pai tinha um assobio incomfundível, e quando ele assobiava sabiamos, minha irmã e eu, que estava na hora de nos recolher:
"mana, vamos que o pai tá nos chamando; tchau pessoal até mais"!!!!!
São tantas lembranças boas. Espero que a meninada de hoje também possa no futuro ter alguma dessas lembranças, apesar de hoje o medo da insegurança já rondar de forma feroz o nosso litoral. Quem sabe essas lebranças ainda possam existir dentro daqueles enormes muros que cercam os incontáveis condomínios que hoje se multiplicam por nossas praias. Quem sabe lá esse espírito de liberdade ainda se mantenha. Tomara!!!!
Que saudades dos meus veraneios, aonde me sentia tão livre!!!!

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