
Hoje ao ler uma reportagem no caderno Donna da Zero Hora sobre uma das primeiras escritoras feministas do Brasil fiquei pensando em todos os ideais desse movimento e como aplicá-los aos dias de hoje. Acho que muitos desses conceitos devem ser revistos, pois as mulheres da atualidade já conseguiram o principal: a independência de suas vidas sem a necessidade de uma figura masculina ao lado, ou seja, para ser uma mulher respeitada não precisa mais ser a mulher de algum homem renomado perante a sociedade.
Temos que pensar que quando surgiu esse movimento de liberdade da mulher, denominado feminismo, a mulher não podia sair de casa sozinha sem ser mau vista, não podia trabalhar sem a permissão do marido, tinha que ser prendada para os afazeres domésticos para conseguir um bom partido e com isso uma vida confortável, não podia até mesmo votar; a vida de uma mulher só existia quando essa tinha um homem para guiá-la.
Hoje, graças a este movimento e as mulheres corajosas que o encabeçaram, as mulheres possuem toda a liberdade para reger a sua própria vida sem a necessidade de um marido a tira colo; é claro que ainda existe muito machismo, mas já conseguimos ver mulheres em postos onde só se viam figuras masculinas, vemos mulheres ocupando cargos de chefe de estado.
Todavia, mesmo tendo conquistado coisas importantes para as mulheres, acho que se perdeu também coisas importantes exclusivas do universo feminino. Creio que na verdade o sentido inicial de equiparar-se aos homens dado por esse movimento distorceu-se ao longo dos anos, pois essa figura da mulher caçadora, pegadora, não combina com os ideais feministas, apesar de muitas justificarem essa postura no universo da liberdade feminina, naquela máxima “se o homem pode porque a mulher não pode?”
Vejam a discrepância, pois tenho amigas que vão às festas ficam com milhares de caras, posam como mulheres fatais e auto-suficientes, mas que ao chegarem em casa caem aos prantos por se sentiram totalmente usadas, por àquele carinha da noite passado de sexo tórrido não ter ligado na semana seguinte. Devemos tomar ciência de que determinadas atitudes nada tem haver com a verdadeira essência da pessoa.
Não se deve buscar aquilo que não somos por natureza; homem é homem e mulher é mulher, é assim que eu penso. Acho que quando falamos de trabalho, liberdade de escolha, direito de guiar a sua vida da maneira que se quer, não podemos dizer que isso é oriundo de um sexo e que por isso temos que ser igual a ele. Agora, quando falamos de hormônios que guiam determinados sentidos e atitudes aí sim falamos de diferença de sexos, exemplo: uma mulher não pode querer ter mais força que um homem, pois isso é exclusivo de um homem pela própria natureza orgânica de seu corpo.
Portanto, quando não se tem uma personalidade para tomar ou agir em face de uma atitude não se pode querer forçar a sua essência para tornar-se algo que não é só para demonstrar que é mais do que alguém do sexo oposto.
Assim, acho que devíamos, nós mulheres, repensar determinados conceitos vindos do feminismo de outros tempos e resgatar atitudes femininas antigas para os tempos modernos; mulher pode sim querer que um homem abra a porta do carro, que mande flores, que a peça em casamento lhe dando uma lindíssima aliança sem deixar de ser uma grande profissional reconhecida perante o mercado de trabalho.
Não se deve buscar aquilo que não somos por ideais antigos e, ainda, distorcidos! Devemos esquecer dessa eterna luta travada entre os sexos e assumir que ambos têm diferenças incomunicáveis e que, por sua vez, também podem ser iguais nas mesmas proporções.